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Antiquíssima e histórica praça de guerra medieval, cruzada por ricos vestígios romanos, numa paisagem imensa e aberta às emoções da caça, aos encantos da Reserva da Malcata e à tranquilidade das férias na Natureza.
Penamacor nasceu e cresceu até ao século XVI dentro das muralhas do seu castelo, fundado no final do século XII por D. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários. Porém, os machados de pedra polida aqui descobertos, recordam que o homem habita o morro granítico do castelo desde o Neolítico. Durante a Idade do Ferro e do Bronze foi fortificado como castro, e as legiões romanas deram-lhe a forma de atalaia. Daqueles tempos provém o espólio da secção de arqueologia do Museu Municipal de Penamacor, composto por machados do Neolítico, mós proto-históricas, moedas e estátuas de deuses romanos, aras e lápides epígrafadas, bem como um admirável túmulo romano de incineração, do séc. I-II d.C., único na Península Ibérica. Para conhecer o castelo suba o Largo da Igreja Matriz até à Igreja da Misericórdia, do séc. XVI, apreciando o seu notável portal manuelino. Acima está o Terreiro do Pelourinho seiscentista e o arco gótico que atravessa as muralhas do castelo, sob o edifício manuelino do Domus Municipalis (antigos Paços do Concelho), decorado com escadaria de acesso exterior e brasões de D. Manuel voltados para a Rua de S. Pedro. Esta rua cruza todo o bairro do Castelo, desde a Torre de Menagem (do Relógio) até à Torre de Vigia, situada na extremidade do rochedo. Ao longo da Rua de S. Pedro o casario, tem admiráveis proporções medievais, guarda antigos poços, mostra sinais da pequena Judiaria de quinhentos e tem a Igreja de S. Pedro, de fundação românica. Descendo pela Rua de S. Pedro até ao Largo de Santa Maria, surgem outras vistas de Penamacor.
E pela Rua da Misericórdia, voltando à esquerda, chega-se ao Largo Júlio Rodrigues da Silva, onde no edifício do antigo Quartel se encontra o Museu Municipal. A caminho do Largo dos Paços do Concelho surge o Jardim da República ou Municipal. E do recinto do Convento de Santo António, do séc. XVI, há uma magnífica panorâmica sobre o casario baixo e harmonioso da Vila, decorado por diversos solares e habitações dos séculos XVIII e XIX.


Por Aldeias à beira do passado e da Serra da Malcata
Um passeio para férias ou fins-de-semana, dedicado a quem tem o olhar ávido de grandes paisagens e gosta de cenários puros de água e serra, salpicados de curiosidades, sabores e aldeias cheias de história.
Saindo de Penamacor pela Rua Miguel Bombarda para a EM 569 - a estrada que conduz a Espanha, siga a caminho da Sr.ª Do Bom Sucesso. A estrada atravessa quase a direito a Reserva de Caça Turística das Veigas, onde se realizam habitualmente largadas de faisões e perdizes. Adiante, à direita, por entre um montado de azinheiras, situa-se o Açude da Ribeira da Bazágueda. Junto ao Açude elevam-se os arcos de uma ponte de finais do século XII.
De regresso à estrada volte à direita para visitar a capela da Sr.ª do Bom Sucesso, com púlpito exterior. Para diante estende-se o vale e a Serra da Arrochela, em cujo sopé um lavrador descobriu o túmulo funerário romano exposto no Museu Municipal. O Parque Municipal de Campismo do Freixial surge na margem da Ribeira da Bazágueda, no caminho para Aranhas que é uma aldeia situada no sopé do morro de Santa Sofia, onde existe uma pequena capela panorâmica. Na aldeia há um lagar de varas intacto, uma atalaia do séc. XVII, um troço de estrada medieval e a capela do Espírito Santo com aprazível parque.
A viagem continua até à Aldeia de João Pires, uma aldeia histórica que reúne ao longo da Rua Velha e da Rua Cimo da Aldeia algumas das suas casas mais antigas e mais floridas. Junto à Igreja Matriz de S. Miguel encontra-se o Museu Etnográfico. Nas proximidades situa-se a estação arqueológica da Tapada do Outeiro e na saída para a EN 332 está a Capela do Espírito Santo e o Calvário, com três curiosas cruzes laterais. Depois de visitar em Aldeia do Bispo uma habitação do séc. XVII conhecida por Casa do Bispo, volte para Águas que tem uma calçada e ponte romana. No Largo das Igrejas de Águas há um solar e duas Igrejas, ambas são de granito, mas a mais nova é da autoria do Arqt.º Nuno Teotónio Pereira. A sul da aldeia estão as Termas da Fonte Santa, cujas águas sulfurosas são próprias para o tratamento do reumatismo e das afecções da pele.
Bemposta é outra terra antiga, tem um valioso núcleo de casas gótico-renascentistas do séc. XVI floridas de buganvílias, e tem um conjunto monumental composto pelo pelourinho, a antiga casa da Câmara e prisão, a Capela do Espírito Santo do séc. XVIII e a Torre de Menagem com pedras romanas epígrafadas.
De regresso a Penamacor, pare em Pedrogão para ver os seus solares e outra notável colecção de casas populares seiscentistas e setecentistas.
Passe a noite em Penamacor e jante, optando por provar, o Chouriço de Ossos, o Entrecosto com Migas de Alho e o Queijo de Penamacor, ao sabor de um vinho Regional das Beiras.
No dia seguinte, saindo de Penamacor para Norte, pela EN 233, siga em direcção a Meimoa, olhando uma paisagem suave e ampla de vales e pastagens rodeadas por pequenas colinas com pinhais. Meimoa tem uma das mais admiráveis pontes romanas da região. Repare no cruzeiro que tem inscrição romana e na fonte romana de mergulho, na saída para Caria. De Meimoa volte à direita para Meimão. Mais adiante vê-se o dique da Barragem da Meimoa e o espantoso cenário das vertentes da Serra da Malcata a desaguarem neste espelho de água. À volta da albufeira, já em plena Reserva Natural, há uma estrada de terra batida que segue até Meimão. Seguindo as pequenas setas verdes poderá subir até ao Alto dos Concelhos, a 1000 metros de altitude, de onde se avista a albufeira, a Reserva e sete concelhos em redor.
Meimão é uma aldeia cheia de riquezas rurais e casas populares de rosto antigo. Situa-se do extremo da albufeira e do alto da estrada que conduz a Santo Estevão e ao Vale da Sr.ª da Póvoa, há um inesquecível panorama de água e serra.
De regresso a Penamacor pare em Vale da Sr.ª da Póvoa, e admire o conjunto de edifícios que ladeia a rua que desce da Igreja Matriz, uma estação romana com sarcófago, e o local da Romaria da Senhora da Póvoa que anualmente se realiza na Segunda-feira seguinte ao Domingo do Espírito Santo (móvel).

Duração: 1 dia. Distância Total: 18 Kms.  


Reserva Natural da Serra da Malcata

Relíquia verde de uma serra retalhada por ravinas de xisto, pastos e bosques mediterrâneos povoados de linces, javalis e raposas, mesmo à beira dos panoramas da Albufeira da Meimoa e da harmonia entre o Homem e a Natureza.
A Reserva da Malcata foi criada em 1981 para proteger o lince ibérico e todo o ecossistema a ele associado. Toda a Serra da Malcata mostra um relevo acentuado, assente em xistos e grauvaques pré-câmbricos, onde a conjugação dos ventos atlânticos e continentais dá origem a micro-climas do tipo mediterrâneo. Os cumes são arredondados, ora cobertos por mantos de estevas e sargaços, ora por manchas de urzes que florescem na Primavera.
Mas é nos vales, nas ravinas dos riachos ou pelas margens da Albufeira da Meimoa que a Serra guarda o melhor da sua vida animal e vegetal. Nas encostas sombrias e expostas a Norte domina o carvalho-negral, o carvalho-cerquinho, a cerejeira brava, os castanheiros, as aveleiras, as giestas, as carquejas e os medronheiros que dão no Outono os suculentos frutos para a apreciada aguardente de medronho. Nas vertentes mais quentes e secas, viradas a Sul e a Leste, habita a azinheira e o sobreiro.
A bordejar as ribeiras que correm por ravinas com leitos apertados, onde espadana a truta, há exuberantes amieiros, salgueiros e freixos que formam o denso habitat do lince ibérico, do gato bravo, do javali, das ginetas e das raposas, ou onde ecoa o cântico dos chapins e dos rouxinóis.
À beira da albufeira habita a lontra, o lagarto-de-água ou o melro aquático, e surgem pequenos pastos com rebanhos de ovelhas e cabras que dão o leite para o gostoso queijo de Penamacor. E é nos matos vizinhos a estes pastos que vive o coelho-bravo, a base da alimentação do lince ibérico.
Ao lado há colinas suaves vigiadas pelo voo da águia-real ou do açor à procura de lebres e perdizes.
Hoje, com a recuperação das actividades humanas ajustadas ao ambiente, a Serra da Malcata é cada vez mais um centro de Turismo Rural e de Natureza, já eleita como Reserva Biogenética da Europa.


Posto de Turismo de Penamacor
Rua 25 de Abril
6090-552 Penamacor
Tel.: 277 394 316
Fax: 277 394 196 (C.M.P.)

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