Um tempo de montanha, neve e bem-estar, escalado pela luz dourada da altitude, nas Penhas e nos Cântaros, pelo verde dos lameiros e dos cervunais, pelo jorro das virtudes termais e pelas cascatas e rios truteiros que descem no berço de antigos glaciares, convidando ao repouso em Covões de nomes mágicos e aos passeios pelos méritos da Natureza no Parque Natural da Serra da Estrela.
Típica povoação de montanha, a 700 metros de altitude, recolhida no belíssimo vale glaciar do rio Zêzere, todo ele verde, com muitas casas e igrejas caiadas de branco e, em muitos dias, de neve. O rio passa veloz, num leito rugoso de granito, rodeado de lameiros, onde nasce o milho, cresce o pasto e rebanhos de ovelhas bordaleiras. O casario povoa, com ruas de ar antigo, toda a meia encosta da margem esquerda do Zêzere, ao longo de um anfiteatro semi-circular que o rio desenha.
A história de Manteigas data a épocas anteriores à Era Cristã, sendo o seu primeiro foral de 1188, atribuído pelo Rei D. Sancho I. Sinais evidentes do passado são as Igrejas de Santa Maria, São Pedro e da Misericórdia, o solar da Casa das Obras, as tecelagens de colchas e tapetes, em tear manual que pode ser visto ao vivo no Centro de Artesanato, as típicas casacas de pastor, as cocharras e as esculturas em madeira, a latoaria e os trabalhos em carneira ou em granito. Outros sabores do passado e da Serra provam-se no cabrito assado, no cozido à Serrana, na feijoada, nas trutas, nos enchidos, no requeijão, no queijo da Serra, nos bolos de leite e de Crista, ou nas cavacas e nas queijadas.
Das Penhas Douradas ao Poço do Inferno... descobrindo o vale do Mondego
Primeiro a subir até às Penhas Douradas, ao Vale do Rossim e ao Mondeguinho. Depois a descer do vale do Mondego para o vale do Zêzere até às cascatas do Poço do Inferno, ouvindo o silêncio e o cântico das paisagens.
Ao sair de Manteigas, pela Rua Dr. Afonso Costa, cruze a ribeira de Santo André, passe junto ao campo de futebol e continue a subir pela estrada florestal da Carvalheira, rodeada de carvalhos, castanheiros e altivas pseudotsugas, até chegar à EN 232. Aqui pare um pouco. Este local, conhecido pela Curva Bonita, oferece um belo panorama de Manteigas e do vale superior do Zêzere. Depois da fonte, à esquerda, vê-se o Observatório Meteorológico, construído em 1882 para estudo e previsão do clima de montanha.
Continue pela EN 232 até à Pousada de S. Lourenço, a 1285 metros de altitude e daí para as Penhas Douradas, magnífica estância de férias de montanha, a 1475 metros de altitude.
Repare nas casas de montanha de telhados pontiagudos e de cores vivas que contrastam com o branco da neve, o verde dos pinheiros silvestres e o cinzento escuro dos fragões. Das Penhas Douradas vá até Vale das Éguas, local planáltico onde existiu um campo de melhoramento de pastagens.
Regresse às Penhas e siga até à Albufeira da Barragem do Vale do Rossim, onde a neve, o gelo, o granito e a água se misturam no Inverno e se enche de prazeres aquáticos durante o Verão. Aqui existe um restaurante e um novo Parque de Campismo.
Regresse à E.N.232, volte à esquerda e vá até ao Mondeguinho; fonte e nascente de um dos maiores rios portugueses - o Mondego. Voltando à Pousada de S. Lourenço desça por uma estrada de terra, à esquerda, quase em frente à Pousada e acessível a veículos ligeiros. São três quilómetros até encontrar o alcatrão no cruzamento da Cruz das Jogadas. Aproveite e repouse o olhar na nova paisagem de xisto que rodeia o verdejante Vale Direito, ou na frondosa mata de Carvalhos, em frente. Depois, volte à esquerda e continue a descer ao longo das encostas suaves e onduladas de urzes e zimbros até chegar aos meandros rápidos do vale do Mondego e à Capela de N.ª Sr.ª do Carmo e ao idílico Covão da Ponte - um sítio que ninguém esquece. Volte ao cruzamento da Cruz das Jogadas e continue, em frente, através da Mata de S. Lourenço e dos panoramas profundos do vale da Ribeira de Pandil que desagua numa impressionante cascata de socalcos e lameiros no vale do Zêzere. Aceite o convite e siga até Sameiro sempre a acompanhar as águas truteiras do Zêzere e uma bela caravana de prados verdes.
De volta a Manteigas, atravesse o Zêzere na ponte de S. Gabriel e continue até às Caldas de Manteigas, com a vila do outro lado do rio. Siga para o Poço do Inferno, subindo a encosta frondosa da Mata dos Carvalhais. Por fim, deslumbre-se com a bela queda d’água do Poço do Inferno que se situa na estreita garganta da Ribeira de Leandres, cujo leito percorre a linha de união do granito com o xisto.
Duração: 1 dia. Distância Total: 76 Kms.
As Caldas de Manteigas
Estância hidro-terápica de águas sulfuro-sódicas, indicadas para o tratamento de reumatismos, dermatoses e das vias respiratórias. Nas termas existem duas nascentes - a Fonte Quente, com água a 42º C, e a Fonte Santa com águas a 19º C. A época termal decorre de 1 de Maio a 30 de Outubro. O Balneário Termal, moderno e com piscina termal, tem hotel e campos de ténis.
Até à Torre e aos Cântaros
Das emoções do esqui e da neve, aos passeios a pé e a vida ao ar livre no Covão d’Ametade, a ver nascer o rio Zêzere.
Partindo de Manteigas pela EN 338, cruze o rio Zêzere na ponte junto às Caldas de Manteigas. Visite o viveiro das trutas e repare na mata que envolve a estrada, nos pequenos pastos e nas casas de pedra, com telhados de palha de centeio e giesta, junto ao rio.
De um lado e de outro as vertentes abruptas, sulcadas por cascatas, riachos velozes e fontes caudalosas, das quais se destaca a Fonte de Paulo Luís Martins. À direita, o Covão de Albergaria e adiante o Covão d’Ametade, antiga lagoa de origem glaciar, aos pés do maciço do Cântaro Magro, onde nasce o rio Zêzere. Aqui é permitido o campismo, respeitando a sensibilidade do local que é todo ele revestido por relvados naturais (cervunais).
Mais acima pare no miradouro sobre o vale do Zêzere, formado durante a glaciação Wurmiana que terminou à 20.000 anos.
Passada a curva de acesso aos Poios Brancos e ao Planalto da Serra de Baixo, olhe para a direita e veja os rochedos dos Cântaros - o Gordo, o Magro e o Raso, da direita para a esquerda. Depois surge a Nave de Santo António que é uma planície arenosa, a 1550 metros, originada por uma antiga lagoa glaciária.
No cruzamento com a EN 339, volte à direita, para a Torre. No Covão do Boi repare no monumento a N.ª Sr.ª da Boa Estrela, baixo relevo esculpido na rocha por António Duarte, com mais de 7 metros de altura.
Mais acima, eleva-se, à direita, o Cântaro Raso e a seguir, o pitoresco rochedo do Cântaro Magro - um dos símbolos naturais da Serra. O Cântaro Gordo situa-se junto ao cruzamento para a Torre, onde em 1817 D. João VI mandou levantar uma torre de 7 metros para completar os 2.000 metros de altitude. As pistas de esqui da Torre, situam-se à direita, para Norte, dispondo de quatro telesquis e uma telecadeira.
Posto de Turismo de Manteigas
Rua Dr. Esteves de Carvalho, n.º 2
6260-144 Manteigas
Tel./Fax: 275 981 129





















